Fenômeno internacional há mais de duas décadas, a bela guerreira com roupa de marinheiro conquistou o mundo em nome da Lua.

 

Usagi Tsukino é uma estudante de 14 anos relaxada, comilona e que chora por qualquer coisa. Certo dia, indo para a escola, a garota tropeça em uma gata falante que lhe concede poderes mágicos, transformando-a em uma guerreira que luta pelo amor e pela justiça. Esta história é familiar para qualquer jovem que cresceu na década de 1990. Mesmo quem não é muito ligado no universo dos mangás e animes – os quadrinhos e animações japoneses –, conhece ou ao menos já ouviu falar de Sailor Moon, um verdadeiro sucesso que tornou-se referência do gênero.

Bishōjo Senshi Sērā Mūn (em tradução livre: Bela Guerreira Sailor Moon), escrito e ilustrado pela mangaka japonesa Naoko Takeuchi, completou 20 anos em 2012. Nesse período, a série ganhou as mais diversas adaptações e tornou-se uma das mais famosas franquias japonesas no ocidente. No Brasil, Sailor Moon é muito conhecido devido ao primeiro anime, exibido tanto em rede aberta quanto em canais pagos até 2002. Além disso, a série também conta com um live-action, mais uma versão animada, inúmeros musicais e também jogos para as mais diversas plataformas. Trata-se de um verdadeiro fenômeno na cultura popular japonesa.

Com mais de duas décadas de idade, a famosa e bem-sucedida franquia japonesa finalmente chegou ao Brasil em sua forma original: o mangá, publicado orginalmente em 1992, foi lançado pela primeira vez aqui no país no dia 29 de março de 2014. O peso da franquia fica evidente no tratamento e na atenção que Sailor Moon recebeu da JBC, editora responsável pelo mangá no Brasil. No início de 2014, foi divulgada uma série de vídeos – os chamados Diário Sailor Moon – nas redes sociais mostrando para os fãs as etapas de produção, aprovação e acabamento do primeiro volume da obra.

O tão esperado lançamento foi motivo de uma enorme festa que reuniu cerca de 400 pessoas no auditória da Livraria Saraiva do Shopping Center Norte. O público, ao contrário do que se espera, não era exclusivamente composto por meninas adolescentes, mas sim por jovens e adultos na faixa dos 25 à 35 anos – as mesmas que pessoas assistiram Sailor Moon na televisão na década de 1990. É notável que desde o aniversário de 20 anos, a franquia tem passado por um renascimento mundial e a chegada do mangá no Brasil foi apenas uma entre tantas novidades que os fãs da série acompanharam nos últimos anos.

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Legenda: O primeiro anime de Sailor Moon foi responsável por popularizar a série ao redor do mundo.

Muitos países ganharam redublagens do primeiro anime e dos filmes, bem como novas versões e traduções do mangá. Um inesgotável estoque de brinquedos e itens de colecionador são anunciados frequentemente no Japão. Fora isso, os novos musicais chegaram pela primeira vez em palcos internacionais em 2014. O público, assim como a franquia, também ganhou uma cara nova: as crianças e pré-adolescentes que acompanharam a série nos anos 1990 se tornaram jovens e adultos, pessoas com rendas próprias, prontos para usar dessa nova condição para consumir os produtos da série.

Contudo, o aspecto que mais chama atenção nesse “renascimento” é Sailor Moon Crystal, a nova versão animada da série que estreou em julho do ano passado – dividos em duas partes, os 26 episódios confirmados são distribuídos simultaneamente no mundo todo através de sites de streaming, legendados em 11 línguas. Unida à nova série de musicais e aos colecionáveis lançados desde 2012, a série animada se tornou um dos principais produtos consumidos por esse novo mercado de fãs.

 

ORGULHO LUNAR

Além de ter feito grande sucesso com o público, Sailor Moon também é conhecido por renovar o gênero mahō shōjo (histórias sobre garotas mágicas). A série foi a primeira que colocou no papel feminino a figura de uma heroína que luta contra o mal – e não uma menininha que brinca com poderes mágicos, como geralmente acontecia até então nas publicações desse tipo. Além disso, é perceptível a influência que o título teve em outras séries de mangá e anime, que repetem a mesma fórmula inaugurada por Naoko Takeuchi. Fórmula que, inclusive, tornou-se o maior dos clichês no gênero. Outro ponto importante é que Sailor Moon fez parte de uma geração de mangás e animes que foram responsáveis por popularizar a cultura japonesa ao redor do mundo.

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Legenda: A Guerreiras Sailor de Takeuchi se tornaram um símbolo do gênero mahō shōjo

 

Dividida em cinco fases, Sailor Moon aborda as mais diversas temáticas, tais como sexualidade, religião, suicídio e até mesmo sexismo e androgenia. Fãs ao redor do mundo inteiro se deixaram conquistar pela narrativa repleta de poderes mágicos, viagens no tempo e no espaço, astrologia, mitologia, aventura e romance. Nota-se que Naoko, a autora, fez um trabalho especialmente interessante na construção dos personagens – sua protagonista, por exemplo, é uma perfeita representação social da figura feminina, mas isso não impede que ela exerça um papel tipicamente masculino, que é o de guerreira. A obra questiona o estereótipo da “mulher forte”, que é aquela precisa de atributos e comportamentos masculinizados para provar seu valor.

Independentemente do motivo, é um fato que Sailor Moon conquistou muitos e muitos fãs ao redor do globo. Mesmo depois de vinte anos, a guerreira do amor e da justiça continua encantando e inspirando corações mundo a fora. Não é raro ouvir fãs que afirmam que a série teve um papel crucial em suas formações. Para essas pessoas, o último trecho do mangá terá sempre um significado especial: “Sailor Moon, você é a mais brilhante estrela a brilhar por todo resplendor eterno”.

 

“Disfarçar de…”

 

Conheça as principais encarnações da franquia ao longo das últimas duas décadas:

 

MANGÁ

            Originalmente publicado no Japão entre 1992 e 1997 na revista Nakayoshi, da editora Kodansha. Em 2003, a série foi redividida, corrigida e relançada em formato deluxe (é este formato que chegou ao Brasil no ano passado). São 60 capítulos, dez histórias paralelas e sete livros de ilustrações. Uma nova versão, a aclamada “edição perfeita”, foi lançada entre 2013 e 2014 – os kanzenban contam com uma série de mudanças editoriais, reembalando mais uma vez a já conhecida história em capas brilhantes e ilustrações exclusivas.

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Legenda: o mangá de Sailor Moon já teve três edições diferentes. A segunda versão foi a publicada pela JBC no Brasil em 2014-2015.

 

ANIME

É a encarnação da franquia mais conhecida pelo público. O cartoon tem 200 episódios divididos em cinco temporadas, além de três filmes e cinco especiais, todos produzidos e distribuídos pela Toei Animation. No Brasil, Sailor Moon foi exibido entre 1996 e 2002, pela Rede Manchete, Rede Record e Cartoon Network.

Legenda: Abertura do primeiro anime de Sailor Moon, de 1992.

Um remake do anime estreou mundialmente em julho de 2014 sob o título Pretty Guardian Sailor Moon Crystal. A animação foi distribuída com legendas em mais de dez línguas e, no ano passado, foi dublada e distribuída em vários países ao redor do mundo. Motivo de amores e ódios, a nova série re-conta a história em uma perspectiva mais parecida com a do mangá. Além dos 26 episódios que deram início a nova jornada das Guerreiras Sailor, uma nova temporada de 13 episódios está atualmente sendo exibida na televisão japonesa e também distribuída internacionalmente por streaming.

Legenda: Abertura da primeira temporada de Sailor Moon Crystal, que estreou em 2014.

 

SERA MYU (“SAILOR MOON MUSICAL”)

            Entre 1993 e 2005, foram apresentadas produções teatrais tinham tiravam seus roteiros do mangá e do anime, muitas vezes misturando os dois universos entre si ou com histórias e personagens originais. Até o início do ano passado, 29 peças já tinham sido encenadas, porém um 30º musical foi exibido em comemoração aos 20 anos da série em 2013 – Sailor Moon: La Reconquista, inaugurando um novo ciclo de musicais da franquia, cuja mais marcante característica é o elenco inteiramente feminino. Depois de La Reconquista, Sailor Moon voltou aos palcos japoneses com Petite Étrangère que, pela primeira vez, levou a produção para a China, e em seguida com Un Nouveau Voyage, apresentado no ano passado. O 33º musical da série está marcado para setembro deste ano com um novo elenco confirmado.

Legenda: Os musicais de Sailor Moon também ganharam uma cara nova a partir de 2013, voltando aos palcos japoneses com a montagem La Reconquista

 

LIVE-ACTION

A Toei também produziu uma série live-action com o título Pretty Guardian Sailor Moon. São 49 episódios que foram ao ar no Japão entre 2003 e 2004 e dois especiais que foram lançados somente em DVD/VHS. A autora Naoko Takeuchi esteve extremamente envolvida na produção da série que é baseada na primeira “fase” dos quadrinhos. O elenco principal foi composto por: Miyuu Sawai, como Usagi Tsukino/Sailor Moon; Chisaki Hama, como Ami Mizuno/Sailor Mercury; Keiko Kitagawa, como Rei Hino/Sailor Mars; Mew Azama, como Makoto Kino/Sailor Jupiter; Ayaka Komatsu, como Minako Aino/Sailor Venus; e Jouji Shibue, como Mamoru Chiba/Tuxedo Mask. Mais de dez anos depois, as atrizes principais ainda mantêm um forte laço de amizade e são vistas juntas várias vezes, especialmente em datas comemorativas.

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Legenda: a versão live-action de Sailor Moon recontou a história da primeira fase do mangá em uma nova perspectiva.

 

COLECIONÁVEIS

            Talvez um dos aspectos que mais mudou com o “renascimento” de Sailor Moon, os produtos da franquia ganharam uma nova cara para se adequar a mudança no público. Uma variedade quase infinita de itens da série foi colocada a venda desde 2012, incluindo desde produtos de papelaria e brinquedos de gashapons, até louças, linhas de armações de óculos e absorventes. Tudo isso reflete a mudança do consumidor que cresceu, mas ainda tem muito interesse em produtos da heroína japonesa.

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Legenda: Linhas de gashapons dos broches da Sailor Moon.

 

Os antigos brinquedos e bonecas foram substituídos por linhas de colecionáveis e action figures. O que parece mais chamar atenção são as “proplicas”, reproduções detalhadas de itens que as personagens utilizam na série. Já foram seis modelos anunciados e lançados pela Bandai nos últimos quatro anos. Fora isso, as linhas de figuarts também fazem muito sucesso entre os fãs colecionadores: tanto as S.H. Figuarts, com uma imensa variedade de personagens em modelos articulados, quanto as FiguartsZERO, que trazem as Guerreiras Sailor tanto em suas versões dos anos 1990 como nas versões de Sailor Moon Crystal.

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Legenda: Os novos produtos de Sailor Moon têm como público consumidores mais velhos e fazem muito sucesso com os fãs.

Artigo escrito por André Valente, Co-administrador do Grupo Sailor Moon Brasil

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