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Revista Você S.A. Julho/2013

Como ter duas carreiras – Revista Você S.A. de 17/07/2013

Ter uma segunda carreira começa a fazer parte do dia a dia de muitos profissionais – seja como um projeto para a aposentadoria, seia para ter mais satisfação profissional ou segurança no emprego. Caroline Marino, da Você S/A Edição 182 de Julho de 2013 São Paulo.

Segundo a consultora Maria Candida Baumer, sócia da People & Results, especializada em carreira e cultura empresarial, de São Paulo, é crescente entre pro¿ssionais o interesse de manter duas carreiras paralelas. Maria Candida acaba de concluir a primeira etapa de um estudo sobre o tema. Seu recorte: encontrar pessoas que desempenham atividades diferentes, simultâneas, que demandam desenvolvimento profissional e exigem responsabilidade. Seu objetivo é realizar uma ampla pesquisa sobre o assunto no Brasil ainda neste ano. “As pessoas querem mais de uma fonte de relacionamento, de aprendizado e de desafio”, diz Maria Candida.

O movimento é reflexo de mudanças sociais, como o aumento da expectativa de vida, que obriga as pessoas a planejar o trabalho até uma idade mais avançada, e as possibilidades que a tecnologia proporciona, que permitem administrar um negócio remotamente. Combinados, esses fatores empurram e facilitam a iniciativa pro- fissional de manter duas carreiras.

De acordo com o filósofo australiano Roman Krznaric, um dos fundadores da escola inglesa School of Life, que concedeu entrevista neste mês a VOCÊ S/A (veja na página 86), as pessoas já não podem – nem querem – planejar a carreira tendo como alvo um único trabalho perfeito. Ao contrário, deveriam pensar em maneiras de dar vazão a suas diferentes vocações. “As pessoas têm muitos traços de personalidade, uma identidade formada por diversos conhecimentos e interesses”, afirma Roman. Na Produtive, consultoria de planejamento e transição de carreira de Porto Alegre, há uma área destinada exclusivamente a trabalhar as possibilidades alternativas de renda para os clientes, em geral executivos. Nesse serviço, são abordados os caminhos opcionais de carreira, as motivações do profissional e como está o mercado. De 2.400 pessoas que já participaram desse programa, 40% decidiram iniciar uma carreira paralela.

A pesquisa de Maria Candida identificou alguns motivos para esse movimento, como a vontade de mudar de carreira, um plano para a aposentadoria, insatisfação no trabalho atual ou uma forma de ajudar alguém, como um filho ou o cônjuge. A maioria dos executivos busca a proteção contra um eventual desemprego, mas muita gente opta por uma segunda carreira por já ter chegado ao topo da primeira e precisar de novos estímulos. “Tocar mais de uma atividade profissional amplia os desafios e as competências necessárias para o mercado de trabaIho”, diz Maria Candida.

O que você ganha

O movimento é comum tanto para homens quanto para mulheres. E de todas as idades. Porém, sejam quais forem os motivos da busca, a recomendação dos especialistas é que a atividade complementar seja algo que proporcione satisfação pessoal. “Quando o outro projeto é apenas uma oportunidade de ganhar dinheiro, ele não se sustenta, pois a carreira paralela exige um grau de dedicação que só tem quem gosta do que faz”, afirma Rafael. Apostar em uma carreira que você odeia pode tornar o trabalho muito mais difícil.

Vale reforçar que carreira paralela é diferente de um hobby ou um segundo emprego. É fácil entender a diferença. Se você joga basquete todo fim de semana com os amigos, isso é um hobby, mas, se você é contratado por um time para ser jogador de basquete de forma contínua e mantém seu antigo trabalho, isso é carreira paralela. O mesmo critério se aplica ao segundo emprego, que é quando você faz a mesma atividade para patrões diferentes, como médicos que atuam em mais de um hospital ou professores que Iecionam em mais de uma faculdade. Para caracterizar uma carreira paralela é preciso que o profissional desenvolva uma atividade distinta, que demande investimento no desenvolvimento, que o obrigue a assumir compromissos e que seja um projeto duradouro.

Segundo a coach Eliana Dutra, do Rio de Janeiro, a maioria dos executivos que ela atende tem um plano B como forma de se manter no mercado e se sentir mais segura. “lsso é saber olhar a carreira no longo prazo”, afirma Eliana. Outro ganho é a ousadia. Saber que existe uma alternativa se a primeira carreira der errado faz os profissionais ousar mais, o que contribui para a primeira atividade.

“As pessoas com carreiras paralelas passam a ter mais organização e mais facilidade de olhar para o outro e de identificar oportunidades dentro de projetos”, diz Maria Candida, da People & Results.

Planejamento e perfil

Ter duas atividades requer motivação e planejamento. Por isso, antes de pensar em uma carreira paralela, a orientação dos especialistas é estudar quais seriam as alternativas mais adequadas a você e como está o mercado. O segundo passo, é imaginar como ficará a vida profissional depois de tomada essa decisão.

Para dar certo

“Quando se busca outra atividade, a primeira deve estar consolidada”, diz o psicólogo Tadeu Barbosa Nogueira Junior, de 47 anos, que, além de gerenciar duas clínicas, é vendedor de colecionáveis no Mercado Livre. A ideia de Tadeu ao buscar essa alternativa foi, além de trabalhar com algo mais leve, já que ele lida com o sofrimento humano diariamente em sua clínica, uma forma de manter sua coleção de bonecas, canetas e moedas – outra paixão.

Ele tem em seu acervo pessoal cerca de 150 bonecas, 120 canetas e dezenas de moedas. “Vendo hoje cerca de 1.000 peças por mês”, afirma. Tadeu diz não se imaginar sem nenhuma de suas atividades e lembra que o começo foi difícil. “Tinha dificuldade de conciliá-Ias.” Depois de muito planejamento e uma dose extra de disciplina, ele mantém as duas carreiras consolidadas e sem problemas. Seu segredo é dividir o tempo entre elas – de 35 a 40 horas na clínica e 25 horas para o comércio a cada semana. E contar com parceiros. Tadeu tem três funcionários para cuidar da parte operacional da loja virtual. “Saber delegar é o segredo”, afirma. Com tanto planejamento, hoje ele ainda se dá ao luxo de bloquear sua agenda duas noites por semana.

Coisa de quem já descobriu o segredo do equilíbrio. Seja qual for o motivo que o leve a buscar uma segunda carreira, fazer um planejamento e pensar em como ficará sua vida com mais uma atividade é o primeiro passo para que o projeto seja bem-sucedido. Certamente, você terá menos horas livres e mais responsabilidades. É um tremendo desa¿o, mas, se atender a seus objetivos, vale a pena.

Ponto de partida

Três questões para avaliar antes de investir em uma segunda atividade

Porquê

Saber o motivo que o leva a ter uma segunda carreira é essencial para não prejudicar sua carreira principal ou fazer algo que não dê satisfação. Reflita sobre suas paixões e converse com pessoas do mercado em que pretende entrar. “EnvoIver-se em algo apenas por dinheiro pode colocar tudo a perder”, diz Rafael Souto, presidente da Produtive, de São Paulo.

Situação atual

Se você já tem uma rotina intensa no trabalho atual e costuma trabalhar nos fins de semana e viajar a trabalho, passando pouco tempo com a família, pense bem antes de se lançar em uma nova atividade. Segundo Rafael Souto, a questão principal é: “Sua condição familiar e profissional atual permite uma jornada dupla?”

Perfil

Perfil profissional é outro ponto importante. De acordo com a consultora Maria Baumer, sócia da People & Results, consultoria especializada em carreira e cultura organizacional, se você ê do tipo que não gosta de correr riscos e preza pela rotina, pensar em uma segunda carreira é inviável. “A pessoa tem de ser mais arrojada e ter muita energia”, afirma.

Link online da matéria completa

http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/182/noticias/como-ter-duas-carreiras?page=1

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